quarta-feira, 25 de junho de 2008

.mente humana.

Ela almoça na casa de Adelaide, conversa e volta ao trabalho. Está mais tranquila, mas não é o plano ideal pra sua vida. Oh, o que será dela?

Vai, passa a tarde, chega a noite. Ela lembra que tem uma prova na manhã seguinte que não sabe nem o nome da matéria. Direito tributário. God! Que é isso? Pega um resumo, lê a primeira página e percebe que nada entra na cabeça nem nada parece fazer o menor sentido naquelas letrinhas amontoadas em palavras que, por sua vez, se amontoam em frases, e essas em parágrafos imensos. E olha que parecem ser as respostas das provas, são 6 no total. As outras matérias foram esquecidas durante o semestre.

Lê a primeira página. Piriri. Tenta reler. Não consegue, liga uma chamada a longa distância. Não é um DDD, mas o outro lado paga roaming. Já deu mais de uma hora e eles conseguem não falar nada, só se ouvem e conversam sobre nada. O que será que acontece com essas pessoas que passam tanto tempo no telefone pra não querer falar nada? Só de ouvir uma respiraçãozinha já acalma o coração?

Ele diz que tirou o lixo dos bolsos, e do lixo, inclusive palitos de fósforo que ele usa para acender... Espera, mas ele não tinha parado de fumar? Pois é, voltou. 'Mas não pode! Não faz bem! Você não tinha parado?'; 'Voltei. Muito trabalho, stress'; 'Mas vc tinha parado! Que acontece?'; 'É difícil. Preciso de uma motivação maior que a saúde pra isso.'; 'Maior?'; 'É.', 'Caramba! (assustada) Mas faz mal!'; 'Mas se vc falar que é por vc...'; 'Ah é?'; 'Se vc me falar que é por vc eu paro. Eu gosto de vc'; silêncio, sorriso, lágrima; 'Então tá'; 'Mas vc tem que falar que é isso que vc quer'; pensa ela se era preciso dizer mais... 'Por mim, promete?'; 'Da próxima vez vou ser eu quem vai ligar e te conto'; 'Teve um motora que enrolava um papelzinho toda vez que queria fumar e deixava na mão até passar a vontade'; 'Acho que vou tentar chiclete'; passa tempo; 'E o papelzinho tb. E antes de eu dormir eu vou ligar.'

Último recado do dia: Promessa é dívida.

Ela ficou mais calma, mas o trabalho ainda aflige.

2 comentários:

Rose Marinho Prado disse...

"Direito tributário. God! Que é isso? Pega um resumo, lê a primeira página e percebe que nada entra na cabeça nem nada parece fazer o menor sentido naquelas letrinhas amontoadas em palavras que, por sua vez, se amontoam em frases, e essas em parágrafos imensos."

Isa, Isa.
O Direito Tributário é ordinário. Eu que já passei por isso.
Na São Francisco, Seu Nezito! Que menina danada!
Mas lá nas arcadas, que sofrimento. Que alma penada. Porque passar no vestibular eu sabia, mas os tributos, o Direito Civil, aqueles códigos falando de pecúnia..Bah!
Um dia eu saía da escola, peito doído no vai-e-vem de fico ou saio ...Quando ele, cabelo comprido, botas, olho de poeta:
- Sai! Você merece algo maior.
Não me pergunte se me arrependo. A vida é a escolha, Isa. Depois, pode vir o dilúvio, sim.
Não me arrependo. Claro que não. Ficasse lá na São Francisco...eu não me acharia.E olha que ainda nem comecei a me achar.
Infelizmente, a chaga, o 'quadro nas arcadas' dói por muito tempo. É o tempo sombrio, a insegurança, a volátil bolsa, é tanta coisa! Vai indo você esquece.
E espero mesmo que esqueça logo e vire a esquina. Dando tchaus!

Rose Mprado

Rose Marinho Prado disse...

Isa, depois vou lhe escrever um email.