sexta-feira, 11 de julho de 2008

.cabe a mim, não a você decidir o meu futuro.

"Cabe a mim, não a você decidir o meu futuro", a garota pensou mais uma vez ao conversar com a mãe. Certa de que a certeza já lhe pertencia, afinal, passava dos vinte, praticamente a maioridade em pessoa, ela era. Mas como sempre, a mãe tinha razão. Será mesmo?

Chegou à conclusão fatídica de que praga de mãe é inevitável. Só esperava que sua mãe não fosse bruxa, pelo menos, não do tipo má. Que não desejasse mal a ninguém, apenas visse o futuro, previsse algo que pudessem evitar, no máximo. Ela dizia "leve o guarda-chuva", se não levava, chovia. Ela dizia "leve uma blusa", se não levava, quase nevava.

Cresceu a menina, sim, chegamos a seus vinte e poucos anos. Enfim, posso continuar sua história.

Ela cresceu, fez faculdade, começava a trabalhar. Algo que seu pai não aprovava, pelo menos, não por inteiro: fazia mágica, transformava uma vida em realidade, mas eu acabo com o segredo; não era médica, nem trabalhava no circo. Seu pai acreditava que era quase um circo. Sua mãe vivia lhe dizendo que a profissão se bastava pelo respeito que lhe tomassem, e que mesmo o coração batendo forte, o auto-controle era o que deveria ser posto em prática. Ela não entendia que os tempos eram outros e que o meio promíscuo da filha não seguia os padrões de uma sociedade "normal". Afinal, o que é normal hoje em dia?

Adendo, também não era puta.

Ok. "Coração, pare!", ordenou. Ele não obedeceu. "Pare! Não faça mais ninguém sofrer, por favor!". Novamente, ele não obedeceu. Ela segurou o choro, leu cartas quase destrocadas, quase perdidas, bateu no peito com raiva e chorou, enfim.

Não, não podia obedecer a mãe; não mais. E ela viu que nem a ela cabia a decisão do seu futuro, seu corpo não a obedecia, como nunca houvera obedecido, e ela se viu apaixonada novamente, chorando enquanto o amor de sua vida, daquele momento de sua vida, estava longe.

3 comentários:

Juliana Bratfisch disse...

"Chegou à conclusão fatídica de que praga de mãe é inevitável". Adorei essa frase. Beijos.

Anônimo disse...

Cabe a você decidir. Mas a sina de quem arrisca é a dor. Esta, no entanto, pára. Um dia parará.
Só quem sabe voar conhece esse risco.Mães, pais, sabem mesmo o melhor.
Mas quem disse que o melhor não é o pior.
Aqui, vejo que quebrou o ovo, audácia assumida, doida, doída. Mas do ovo , se você reparar melhor, sangue não é vertido. E sim um amarelo, um amor , elo. E é desse elo que, saindo do ovo primeiro, vai encontrar o pleno, o verdadeiro.
E é desse ovo que um dia virão as melhores planilhas, altiplanos, para com eles e para eles, levar aqueles que a contrariaram.
Um dia talvez precisem desses lugares. E você está lá, as mãos abertas esperando por eles.
Não fosse você eles talvez caíssem, quiçá caiam. Mas não!
Da sua ousadia fez-se a estrela , um rumo pra você traçar. Eles vão entender.
Um dia.

Rose Marinho Prado

Rose Marinho Prado disse...

Cabe a você decidir. Mas a sina de quem arrisca é a dor. Esta, no entanto, pára. Um dia parará.
Só quem sabe voar conhece esse risco.Mães, pais, sabem mesmo o melhor.
Mas quem disse que o melhor não é o pior.
Aqui, vejo que quebrou o ovo, audácia assumida, doida, doída. Mas do ovo , se você reparar melhor, sangue não é vertido. E sim um amarelo, um amor , elo. E é desse elo que, saindo do ovo primeiro, vai encontrar o pleno, o verdadeiro.
E é desse ovo que um dia virão as melhores planilhas, altiplanos, para com eles e para eles, levar aqueles que a contrariaram.
Um dia talvez precisem desses lugares. E você está lá, as mãos abertas esperando por eles.
Não fosse você eles talvez caíssem, quiçá caiam. Mas não!
Da sua ousadia fez-se a estrela , um rumo pra você traçar. Eles vão entender.
Um dia.