sábado, 12 de julho de 2008

A menininha foi embora, eu percebi o seu olhar de medo quando estendi-lhe a mão. Ela não falava, como não falava o filho de Hassan, aquele caçador de pipas do Afeganistão. Fiquei triste, bastante triste em saber que não projetava mais ares de confiança nem a um personagem fictício. Será mesmo que eu tenho jeito?

O roteiro estava pronto, pronto naquela cabeça de 18 anos, talvez 19. Os cabelos ainda num quase-vermelho enganavam os olhares atentos para ver deslizes. Ela era boa em esconder, em conter suas energias para que ninguém percebesse que estava lá. E passou horas no meio de tanta gente desconhecida. A cabeça fervilhava de idéias, tinha várias, mas os dias passavam e ela esquecia de escrever, escrever e documentar os personagens. Eles, então, pegavam sua pequena trouxinha de idéias e saiam andando para o arquivo do esquecimento. Era o segredo que dela mesma se escondia, talvez por isso o nome do blog: *segredo meu

Eu disse que tinha premonições. A cada releitura de pensamentos, uma nova descoberta. Será que ainda tinha esse tipo de poder? Uma amiga, dona fruta, resolveu lhe pedir serviços: Leia a borra de café para mim. Até que ponto, o acreditar torna uma idéia verdadeira? Preciso pesquisar uma resposta, aguarde um momento; mas já aviso que pode durar anos.

Li e reli publicações, não só minhas, mas de outros. Escritos antigos, que eu costumava ler. Estou num período 'de volta à leitura'. Isso deve ser bom, até me instiga a pensar de novo. Será que parei e por isso a menina fugiu? Será que ela acredita que eu não sou mais digna de seus pensamentos porque parei de pensar? Porque parei de pensar como ela? Não, por favor, quero que ela volte. Me ajuda, por favor!

Vou reencontrar a menina, as fadas, e as borboletas. As várias borboletas que povoavam o céu do quarto, que povoavam as mentes férteis, que iam de encontro a jardins escondidos numa selva empedrada por corações adultos demais para sonhar e entender que a vida não é entendida só por aquilo que se parece lógico. A vida é ilógica, analógica e digital. A vida sei lá o que ela é, mas está aí esperando...

4 comentários:

Anônimo disse...

Acho que já reencontrou. Ei-la! Eu acho que nunca fugiu. Esteve o tempo todo digna do mais limpo pensamento.


Rose Marinho Prado

Anônimo disse...

Isa, diga se saiu o post...aqui ele apagou...

Rose

Rose Marinho Prado disse...

Acho que já reencontrou. Ei-la! Eu acho que nunca fugiu. Esteve o tempo todo digna do mais limpo pensamento.


Rose Marinho Prado

Carolina Bassi disse...

Oi, Isa!!!
Pois então, que bom que descobriu o blog! Gosto quando vão lá ler e deixar um recado. Se pudesse escrever na janela da minha casa num papel bem grande em letras garrafais, escreveria..r.s.
Entendo a sua necessidade de escrever. De ler e escrever. Também me sinto assim.
E de tanto nosso trabalho nos sugar, sinto que doamos nosso material criativo - doamos, doamos... - e recebemos pouco em troca. Temos pouco tempo para alimentar nosso terreno com novas leituras e reflexões, porque voltamos tarde pra casa, mortas de cansaço, e temos apenas um dia de folga na semana para fazermos tudo o que gostaríamos de ter tido um tempinho para fazer.
Aí entra, para mim, também a ansiedade. Fico tão ansiosa pra aproveitar o tempo livre que não consigo aproveitá-lo bem. Começo a fazer várias coisas ao mesmo tempo, não consigo me concentrar.
Queria arranjar um mecanismo para adquirir a concentração de antes - pra ler, escrever, desenhar e tudo o mais que sei e gosto de fazer. Queria muito, porque sem isso, sinto falta de mim.
Infelizmente vejo em volta da gente muitas pessoas que não se importam com essa rotina de não pensar, de não criar. O problema é que elas vão contaminando tudo em volta com exigências infinitas, como se não houvesse nada a mais no mundo além do trabalho diário, interminável e ininterrupto.
Precisamos bolar uma rebeldia, uma contramão. Acho que estamos no caminho certo. Escreva sempre!
Um beijo grande,
Carol